21 abril 2006

Tratado do bem comum

Não quero lhe falar daquilo que um dia viverei
Quero lhe dizer o que tenho visto,
O que tenho sentido e o que tenho vivido
Quero lhe falar das vezes que passo
Nas ruas, avenidas, estradas, becos, passeios, e espaços
Quero lhe mostrar a sórdida vida de um desfavorecido
Quero que saibas sobre o que tem acontecido
Fora da nossa grande redoma de vidro
Quero que vejas aquilo que a ti pertence
Aquilo que a mim pertence
Que nos pertence

Quero que tenhas acesso ao bem comum

O bem comum que vemos nos périódicos todos os dias
O bem comum que nos atormenta toda manhã
O bem comum incrustado nos loci cosmopolitas
O bem comum visto de cima

Eis que lhe digo que o bem comum
É um mal comum e com um
Aquele mal que fazemos a um, fazemos a todos
Aquela falta de expressão, de comoção,
De oralidade e visualisação
Que transmitimos a apenas um,
Contagia a todos
O mal que fazemos com um,
É comum aos outros

A indiferença de um olhar ao sofrimento de um semelhante
A crueldade do vazio frente à calamidade
A mudez de um grito altamente sonoro

É essa a nossa herança
Essa é a nossa vitória
Esse é o nosso ganho

Isto é o bem comum
Aquilo que todos construimos
E só a nós ele pertence
...

2 Comments:

Blogger Mary Lamb said...

Gosto tanto de vir aqui!

abril 26, 2006  
Blogger Mônica Ash said...

às vezes a nossa indiferença é involuntária. estamos tão acostumados a ignorar...

teu blog é massa, em?!

abril 28, 2006  

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