Eu nunca entendo o que escrevo. Não que eu nunca entenda, mas nunca concordo. Sempre que escrevo algo e depois leio o que escrevi acho que num disse nada. Acho sempre que poderia ter escrito mais, desenvolvido mais, transcendido mais, derramado mais. Sempre mais. E mais. No meu caso nunca é menos. Sempre acho que deve ser mais porque nunca estou satisfeito com aquilo que produzo. Nesse momento, a escrita é uma insistência. Insisto nesse meio porque tenho a necessidade de me fazer entendível. Mas quero me fazer entendível no momento que sou indizível. No momento que não me localizo, não me encontro. Já é tudo uma grande metalinguagem. Já uso a escrita porque preciso entendê-la. Preciso usar isso aqui e descobri suas inúmeras facetas. Confesso que a empolgação continua, estou me sentindo mais confortável, e isso não é lá muito normal. Do pouco que me conheço, sei que minha motivação dura pouco. Muito pouco. Mas, como já disse, isso aqui é uma insistência, pois sempre tenho uma barreira. Sei que se transpassá-la, isso passará de insistência à necessidade primeira. Por enquanto tá dando certo, mas sei que haverá um momento de crise. Ainda estou me disciplinando. Dói, machuca e sara ao mesmo tempo. Tem um masoquismo nisso tudo. Mas acho que o prazer ao final é muito menos intenso. É antes um alívio e uma descoberta. Ainda não é sublime no sentido de que é um risco iminente e fatal. Por enquanto me arrisco no belo, na contemplação e na segurança. Mas tenho perspectivas de sublimar-me. Aguardo o momento. Espero que a coragem chegue em breve.

4 Comments:
óbvio que eu nunca teria feito a relação dos postes com o sagrado. mas é exatamente essa possibilidade de leituras que me interessa.
quanto aos tijolos, espero realmente que o fator carolline não seja o motivo maior pra você gostar deles.
acho que meu xodó são os postes. porque eles estão sempre lá, mas nós nunca vemos. os lixos e o tijolo estiveram em algum momento. os postes estão sempre.
vai no meu fotolog pra você ver a foto que tirei no banheir do mnbh.
beijo menino! depoiseu volto pr ler o novo texto! aliás, tô adorando isso...
desconfio que escrever minha necessidade primeira. porque é a única coisa que depois de tantos anos de dor, continuo fazendo.
se manter em segurança é sempre fácil. é sempre uma dor fácil. o que vem depois é bem mais profundo. quando descobre se o depois do depois, é a queda maior.
esse é o risco.
adorável.
belo passo para uma escrita sincera com você mesmo.
acho que satisfação é isso, alcançar uma sinceridade com a gente. =)
e uma aposta:
tente escrever pouco. duas linhas.
três palavras... mas que signifiquem o mundo.
vc conhece o ítalo calvino?
ah, meu caro... há ainda tanto tempo e tanta espera antes da escrita, do risco... há ainda tanta descoberta e des-sentido.
a espera talvez se abrevie na dor - no prazer.
mas no fundo se sabe: não há o que esperar. na espera já se produz tudo que há de vir, e o futuro se fará cada vez mais e mais longe e aborrecido.
não aguarde! arranque esse mel de tua boca, de tua alma.
um dia sairá de si a própria obra prima, acabada, consumada - a própria dissolução do ser.
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