18 novembro 2006

Visitar-me

Porque faço sem saber?
Porque não saber o que fazer?

Um grito
Um grito abafado
[No escuro
Um grito de inconformismo

O não grito

Eu sou o grito
A personificação sonora
A prosopopéia encarnada

Eu me explodo
Eu me estouro
Mas ninguém me ouve

Eu danço
Eu pulo na sua frente
Mas ninguém me vê
Ninguém me assite
Inclusive eu

Porque não sei quem sou
Sou um estranho pra mim
E só querendo me encontrar

E me visitar
Tomar café comigo
E conversar comigo
Pegar meu telefone
E sair junto comigo
E me conhecer
E casar comigo
E me mudar
Pra dentro de mim

E só assim...
Me habitar

04 novembro 2006

Vejo o Rio em Janeiro

Falam da Cidade Maravilhosa
A casa-cidade, albergue-escola
De um grande povo que a devora

Povo que vive e contempla
O sol que a cada manhã nasce
Como o renovar da esperança
Nascimento de perspectivas

Vida, louca vida
Da cidade que Cazuza escolheu
Cidade que Vinícius viveu
E João, aquele do Rio, retratou

Cidade-morro das diferenças
Liquidificador de idéias
Onde bate a bola o bate-bola
Quando chega Fevereiro

Cidade-sonho tropicana
Tela do pintor,
Inspiração do poeta

Samba-canção,
Choro e maxixe,
Bossa de um certo Tom