12 outubro 2008

Minha garganta anda péssima. Xarope não resolve. Frio, chuva, sol, calor. Eu tentei buscar ajuda. Li Hegel por esses dias. Belo nartural versus belo artístico. Cortei a tomada do ventilador também. Tava com mau-contato e agora ligo direto no fio desemcapado. Oitenta centavos sobre a mesa é no mínimo estranho, já que... Lembrei do xarope. Acho que tenho que tomar novamente. É de três em três horas. Isso é esquisito. Se eu durmo oito horas por dia, acordo pelo menos duas vezes durante a noite. Uma vez por dia tá bom. Xarope não resolve. Mas tem um gosto bom: mel-limão-agrião-guapo-mato-sem-cachorro.

(Caroll, juro que não tentei te imitar. Mas não deu.)

06 outubro 2008

Eu nunca entendo o que escrevo. Não que eu nunca entenda, mas nunca concordo. Sempre que escrevo algo e depois leio o que escrevi acho que num disse nada. Acho sempre que poderia ter escrito mais, desenvolvido mais, transcendido mais, derramado mais. Sempre mais. E mais. No meu caso nunca é menos. Sempre acho que deve ser mais porque nunca estou satisfeito com aquilo que produzo. Nesse momento, a escrita é uma insistência. Insisto nesse meio porque tenho a necessidade de me fazer entendível. Mas quero me fazer entendível no momento que sou indizível. No momento que não me localizo, não me encontro. Já é tudo uma grande metalinguagem. Já uso a escrita porque preciso entendê-la. Preciso usar isso aqui e descobri suas inúmeras facetas. Confesso que a empolgação continua, estou me sentindo mais confortável, e isso não é lá muito normal. Do pouco que me conheço, sei que minha motivação dura pouco. Muito pouco. Mas, como já disse, isso aqui é uma insistência, pois sempre tenho uma barreira. Sei que se transpassá-la, isso passará de insistência à necessidade primeira. Por enquanto tá dando certo, mas sei que haverá um momento de crise. Ainda estou me disciplinando. Dói, machuca e sara ao mesmo tempo. Tem um masoquismo nisso tudo. Mas acho que o prazer ao final é muito menos intenso. É antes um alívio e uma descoberta. Ainda não é sublime no sentido de que é um risco iminente e fatal. Por enquanto me arrisco no belo, na contemplação e na segurança. Mas tenho perspectivas de sublimar-me. Aguardo o momento. Espero que a coragem chegue em breve.

02 outubro 2008

Acho que estou começando a levar a sério essa coisa de escrever.
Creio que, pra mim, isso começa a se tornar uma certa necessidade.
E eu acho que eu tenho que tomar uma atitude. Devo receber isso e continuar escrevendo, pois é nas letras que me conforto, ou devo abandonar esse ofício, uma vez que isso me dói? Isso não é fácil. A decisão não é fácil.
Mais que isso. A dor não é fácil. Há momentos em que sinto que quase vomitarei as letras. Mesmo assim a mão treme, os pensamentos não correm, a caneta falha. Uma série de desventuras que me colocam numa posição tão inferior a mim mesmo que por vezes desisti de escrever. É. Fui covarde diante do meu desejo. Não o cumpri. E não tenho vergonha disso.
Mas você não tem idéia da dor. Parece que é um pedaço de mim que se vai. Não escrever, quando se deve escrever, é como a castração. Acabam-se sonhos, cores, luzes. Tudo acaba. Nada mais resta. Há um momento em que se sabe que as letras foram embora porque estavam cansadas de esperar. Ah... Eis o ápice do sofrimento. Elas são impiedosas, sim. Se não as põe pra fora, elas vão embora e nunca mais voltam. Eu disse nunca mais. Nunca mais! Compreende isso? Nós não temos capacidade intelectual pra compreender as idéias de nunca, sempre, eterno, infinito. Nossa mente não foi criada pra lidar com a permanência. Achamos que tudo pode sempre mudar. Não importa se é pra melhor ou pra pior. Tudo vai mudar um dia.
Toda vez é isso. Eu levo sempre um susto. Vou escrevendo, escrevendo, escrevendo. Quando vejo já tenho dois parágrafos. Aí fico com vergonha porque nunca sei como terminar.
A verdade é que nunca termina. É isso. Assim que termina.
Até breve!