27 junho 2008

Hoje, se me chamarem, diga que não estou
O céu me chama e agora não vejo ninguém mais importante que ele
O sol se põe e estende seu véu

Me interrompem (eu pedi pra que não fizessem isso)

Logo volto minha atenção à paleta celeste

E por que me interrompem de novo? Ninguém me obedece?
(não, a vida não nos abedece)

Mas fui recompensado
Temos um laranja-o-mais-forte
Um lilás-indo-pro-roxo
Um anil-simples-como-toda-manhã
O espetáculo me faz passivo
Não preciso mais lhe dar atenção
(e agora temos um laranja-o-mais-forte-ainda)
Não mais parte de mim
Sou quase predestinado à cor
E sem ela não sou
(o laranja tornou-se o laranja-o-mais-forte-ainda-que-jamais-fora)

22 junho 2008

O Desessenciado

Um dia o banco fora verde.
Antes de deixar de banco para ser depositário.
Em seu verde repousaram lágrimas e sorrisos
Ficções, interlúdios e verossimilhanças.
Também os amantes o usaram
Assim como os odiantes.
Nessa história toda, roubaram-lha a cor.
Hoje ele é verde.
Verde-água-insípido-inododro-incolor.

20 junho 2008

Então ele se virou e disse:

-Um suco de tomate, por favor.

essa é a vitória! é a opção!
se sentiu como um homem a escolher entre dois amores: tomate e melancia.
era complicado. Fazemos escolhas sem saber o porquê nem como nem onde vai dar isso tudo
No momento em que ele pediu um suco ao garçom e foi questionado sobre o sabor desejado... Meu Deus!
Naquele momento tudo se desesquematizou. Escolher um sabor entre tantos.
"apenas um... apenas um... apenas um..."
isso ecoava em sua mente... era uma perturbação, ora.
ele tinha cinco sabores a sua frente: limão, fruta-do-conde, laranja, tomate e melancia.
Limão ele detestava. quando adolescente, adquirira uma gastrite e o médico lhe receitou suco de dois limões, puro, duas vezes ao dia, por duas semanas.
Resultado: úlceras e trauma-de-suco-de-limão.
Fruta-do-conde.... O que seria isso? optou por não escolher essa opção
Um suco de laranja faria em casa...
Sobrou-lhe Melancia e tomate. E então a dúvida se fez presente. E não veio sozinha. Trouxe a discórdia, a falsidade e a mentira.
Ele sentiu como se Pandora tivesse acabado de abrir sua caixa bem ali.
Cada fruta se exaltava sobre a outra.
O tomate dissertava sobre suas propriedades contra o câncer, seu licopeno, suas vitaminas e seu vermelho bonitinho.
A melancia falava da quantidade de água que possuia em si, do pouco uso de agrotóxicos e de seu verde bonitinho e degradé.
Aí tudo clareou, e então ele escolheu.

-Um suco de tomate, por favor.
-Odeio estrangeirismos.
-"Dregradé". Onde já se viu isso?