Hoje eu estou cansado. Muito.
Faz muito tempo que não escrevo. Hoje faz muito tempo que não escrevo.
Sou um ex-critor.
Hoje eu percebo que só me encontro nas letras.
E, apesar do cansaço e da dificuldade de concatenar as idéias, entendo que, como há muito não escrevo e só me encontro nas palavras, ou melhor, nas letras, pois formo novas palavras, não me encontro. Simples assim. Não me encontro porque há muito não escrevo e não o contrário. Se dinheiro, coisa tão valorizada, não se encontra por acaso, que dirá a alma. Não se encontra a alma por acaso, só quando se quer encontrar. E, sejamos sinceros, sem facilidade. Não se encontra. Definitivamente, não!
Conclusão: não se encontra a alma com facilidade. Principalmente quando não se procura. Como eu, por exemplo, que há muito não escrevo (essas quatro palavras já foram escritas na mesma ordem três vezes. Fato. Portanto, a partir de agora, passarei a grafá-las juntas, com hífen, pois passou quatro a ser um só, dessa forma: há-muito-não-escrevo.).
Como já havia dito, é difícil procurar por algo que não se encontra. Como eu, por exemplo, que há-muito-não-escrevo (confesso que na hora de escrevê-las quase esqueci os últimos dois hífens.Vês o quão difícil é encontrar a própria alma? Pois não me acostumo nem com minha própria escrita que, já disse, é a minha forma de encontrá-la. Se não se entende a forma como se procura, como se procura? É, já disse que é difícil. Na verdade, não se procura (não tome essa última informação como verdade, pois nem estou fazendo aquilo que disse, pois estou escrevendo e, dessa forma, procurando. Ainda não disse que a mente também é complicada? Agora já são duas coisas: alma e razão)).
É engraçado como escrevo por associações. Assim como dois e dois são quatro. Mas também podem ser vinte e dois. Ou então, como disse acima (no exemplo da palavra há-muito-não-escrevo (não esqueci os hífens dessa vez)), quatro se tornou um, então, dois e dois também podem ser um. Já agora apresentei mais três verdades. Não acredite em nenhuma delas. Pretensão minha criar três verdades assim em um único parágrafo, uma vez que há-muito-não-escrevo. Há-muito. Aliás, aproveito pra esclarecer que a noção de muito pra mim pode não ser noção de muito pra você. Portanto, não tome esse quarta possibilidade de verdade como tal. É fato que há-muito-não-escrevo, pois não minto. Mas que é esse muito? Não sei. Me diga você.
Agora me deu medo, pois vi que há bastante coisa escrita nisso que era pra ser três versos. O que quero dizer é que não sei como vou terminar isso. Bem, pelo menos é o que eu acho que quero dizer. Não, não é isso. Nunca é. Nunca se diz o que se quer dizer. Por exemplo, agora, eu não estou conseguindo dizer algo que quero dizer (que é a mesma coisa que imaginava poder dizer nos tais três versos).
Desculpe, a mente fugiu. Cortei o pensamento anterior. (Ah!), a mente também tem isso. Além de ser complicada, ela foge também. Aliás, ela é complicada também porque foge. É um dos motivos. São muitos. E esse é um de todos esses muitos. Um (acho que você entendeu, não? Uma vez que já disse que quatro se fez um (estou prestes a transformar quatro se fez um em quatro-se-fez-um) também posso dizer que um se faz quatro. Pelo menos eu acho que posso, já que foi eu quem inventou isso (não, eu não posso. Eu só inventei, mas não é meu. Mas vou fingir que posso). Então, posso dizer que um motivo se constitui em quatro motivos. Diferentes, é claro. Na verdade, espero que sejam diferentes. Não, não espero)
De mim não espero nada. Não se pode esperar algo de algo que não se conhece. Na verdade, nem se quer conhecer. Pois não se escreve há muito, não se busca, foge-se. Aniquila-se na ânsia de encontrar-se. Ou não encontrar-se. Pois não se escreve há muito, não se busca, foge-se.
Faz muito tempo que não escrevo. Hoje faz muito tempo que não escrevo.
Sou um ex-critor.
Hoje eu percebo que só me encontro nas letras.
E, apesar do cansaço e da dificuldade de concatenar as idéias, entendo que, como há muito não escrevo e só me encontro nas palavras, ou melhor, nas letras, pois formo novas palavras, não me encontro. Simples assim. Não me encontro porque há muito não escrevo e não o contrário. Se dinheiro, coisa tão valorizada, não se encontra por acaso, que dirá a alma. Não se encontra a alma por acaso, só quando se quer encontrar. E, sejamos sinceros, sem facilidade. Não se encontra. Definitivamente, não!
Conclusão: não se encontra a alma com facilidade. Principalmente quando não se procura. Como eu, por exemplo, que há muito não escrevo (essas quatro palavras já foram escritas na mesma ordem três vezes. Fato. Portanto, a partir de agora, passarei a grafá-las juntas, com hífen, pois passou quatro a ser um só, dessa forma: há-muito-não-escrevo.).
Como já havia dito, é difícil procurar por algo que não se encontra. Como eu, por exemplo, que há-muito-não-escrevo (confesso que na hora de escrevê-las quase esqueci os últimos dois hífens.Vês o quão difícil é encontrar a própria alma? Pois não me acostumo nem com minha própria escrita que, já disse, é a minha forma de encontrá-la. Se não se entende a forma como se procura, como se procura? É, já disse que é difícil. Na verdade, não se procura (não tome essa última informação como verdade, pois nem estou fazendo aquilo que disse, pois estou escrevendo e, dessa forma, procurando. Ainda não disse que a mente também é complicada? Agora já são duas coisas: alma e razão)).
É engraçado como escrevo por associações. Assim como dois e dois são quatro. Mas também podem ser vinte e dois. Ou então, como disse acima (no exemplo da palavra há-muito-não-escrevo (não esqueci os hífens dessa vez)), quatro se tornou um, então, dois e dois também podem ser um. Já agora apresentei mais três verdades. Não acredite em nenhuma delas. Pretensão minha criar três verdades assim em um único parágrafo, uma vez que há-muito-não-escrevo. Há-muito. Aliás, aproveito pra esclarecer que a noção de muito pra mim pode não ser noção de muito pra você. Portanto, não tome esse quarta possibilidade de verdade como tal. É fato que há-muito-não-escrevo, pois não minto. Mas que é esse muito? Não sei. Me diga você.
Agora me deu medo, pois vi que há bastante coisa escrita nisso que era pra ser três versos. O que quero dizer é que não sei como vou terminar isso. Bem, pelo menos é o que eu acho que quero dizer. Não, não é isso. Nunca é. Nunca se diz o que se quer dizer. Por exemplo, agora, eu não estou conseguindo dizer algo que quero dizer (que é a mesma coisa que imaginava poder dizer nos tais três versos).
Desculpe, a mente fugiu. Cortei o pensamento anterior. (Ah!), a mente também tem isso. Além de ser complicada, ela foge também. Aliás, ela é complicada também porque foge. É um dos motivos. São muitos. E esse é um de todos esses muitos. Um (acho que você entendeu, não? Uma vez que já disse que quatro se fez um (estou prestes a transformar quatro se fez um em quatro-se-fez-um) também posso dizer que um se faz quatro. Pelo menos eu acho que posso, já que foi eu quem inventou isso (não, eu não posso. Eu só inventei, mas não é meu. Mas vou fingir que posso). Então, posso dizer que um motivo se constitui em quatro motivos. Diferentes, é claro. Na verdade, espero que sejam diferentes. Não, não espero)
De mim não espero nada. Não se pode esperar algo de algo que não se conhece. Na verdade, nem se quer conhecer. Pois não se escreve há muito, não se busca, foge-se. Aniquila-se na ânsia de encontrar-se. Ou não encontrar-se. Pois não se escreve há muito, não se busca, foge-se.
